É muito comum ouvir que um fator de sucesso para qualquer negócio é quando o empreendedor ou o colaborador “faz aquilo que gosta”. E isso é verdade: o combustível da paixão tem uma energia inesgotável, capaz de mover montanhas. Quando você descobre aquilo que gosta de fazer, aprende como fazer e encontra clientes dispostos a pagar o seu preço: parabéns! Acelere, você está no caminho certo! (Falo mais sobre isso em Economia da Paixão.)
Porém, engana-se quem acredita que “fazer aquilo que gosta” o isenta de “fazer aquilo que precisa ser feito”. A onda de glamourização do empreendedorismo às vezes tenta esconder que ter um negócio, ser um bom colaborador ou ter uma posição respeitável na sua área de atuação exige muito esforço e dedicação. Como escreveu meu colega do Blog do Empreendedor do PME Estadão, Ivan Primo Bones: não leia se você não gosta de trabalho duro.
Paixão não dispensa o trabalho “chato”
Exemplifico: você gosta de cozinhar e quer ser um chef reconhecido com uma estrela do prestigiado Guia Michelin. É impossível chegar lá “apenas cozinhando”. Para ser chef é preciso trabalhar duro. Preparar-se. Criar um cardápio que faça sentido. Garantir as melhores matérias-primas (para quem quer trabalhar com frutos do mar e verduras frescas, é um superdesafio). Selecionar os melhores fornecedores. Capacitar a equipe. Cuidar do marketing do restaurante. Certificar-se de todas as questões sanitárias, fiscais e da qualidade do atendimento ao cliente.
Work hard, play hard
É bem verdade que a intersecção entre as economias criativa e digital, a revolução tecnológica e a cultura startup são elementos que permitem que o trabalho não seja necessariamente chato. Espaços de coworking são exemplos de ambientes que incentivam uma maneira mais descontraída de trabalhar, onde a alegria pode, sim, conviver com a busca por resultados. Em 2012, o rapper Wiz Khalifa popularizou a expressão “work hard, play hard” para celebrar essa capacidade de se divertir para valer ao mesmo tempo em que se trabalha duro – que dialoga com outra frase famosa da “nova economia”: make money and have fun.
O livro Rework, de Jason Fried e David Heinemeier Hansson, é uma espécie de manifesto desse novo mundo do trabalho. A questão é equilibrar a descontração, a flexibilização das hierarquias, os horários flexíveis e o humor com as responsabilidades, a proatividade e a atenção máxima nos momentos necessários. Aqueles que “caem na gandaia”, dedicando tempo demais ao pebolim e esquecendo de ligar para o cliente, vão quebrar a cara.
Como fã da cultura popular, sempre acreditei que o único lugar onde sucesso vem antes de trabalho é no dicionário. Mas lá, nas páginas do “pai dos burros”, a dor também vem antes do ganho. Portanto, vamos em frente! Com esforço, fé e determinação.