O termo sustentabilidade foi incorporado ao mundo dos negócios de diferentes maneiras. Acho válido destacar alguns aspectos desse conceito, para que você reflita sobre o quanto seu negócio é, pode ou poderia vir a ser sustentável.
1. Sustentabilidade ambiental
O termo entrou nos negócios primeiro numa visão ambiental: poluição, uso irracional ou excessivo de recursos naturais como a água e as florestas, necessidade de evitar desperdício. Algumas empresas começaram a se preocupar com o impacto que geravam na natureza, mas essa não foi prioridade da maioria – por isso convivemos com rios poluídos, crise hídrica, desmatamento, lixões e esgoto sem tratamento. De qualquer maneira, é preciso “agir localmente e pensar globalmente”. Pergunte-se: seu negócio impacta o meio ambiente? Se sim, está agindo para minimizar esse impacto? O descarte é feito corretamente? Há soluções mais eficazes na relação da empresa com o meio ambiente? (Em Masdar City, sustentabilidade é estilo de vida)
2. Sustentabilidade como perpetuidade
O segundo aspecto trata a sustentabilidade como sinônimo de perpetuidade: é preciso se renovar continuamente para se sustentar no mercado, diante de mudanças cada vez mais velozes na economia, na sociedade, na cultura e no comportamento. Seu negócio vem se renovando? Há um processo de inovação claro e definido (gestão da inovação)? Quando foi a última vez que você incorporou uma tecnologia, melhorou um processo, inovou em produtos e serviços? Sócios e colaboradores encontram um ambiente adequado para inovar?
3. Sustentabilidade nas relações
O terceiro aspecto diz respeito às relações com todas as partes envolvidas: clientes, colaboradores e acionistas, mas também parceiros, fornecedores e, principalmente, a comunidade. Essas relações são sólidas, positivas e baseadas no ganha-ganha? Sua proposta de valor é relevante para a comunidade? Poderia ser mais? Não estaria aí um diferencial? As relações são baseadas em respeito e transparência? (Por que colocar o cliente no centro)
4. Sustentabilidade como oportunidade
Por fim, um dos aspectos mais positivos: a sustentabilidade como oportunidade da economia verde. São negócios que nascem do compromisso ambiental, social e econômico, ganham força na intersecção com a economia criativa e atendem um mercado crescente que prefere produtos e serviços socialmente responsáveis. Três exemplos brasileiros:
- Descarte Correto: do Amazonas, transforma lixo tecnológico em matéria-prima para educação, empreendedorismo e inclusão digital.
- Gatos de Rua: idealizado pelo designer Beto Kelner, cria objetos de decoração, joias e luminárias com materiais reciclados, com inclusão social de jovens.
- Seivabrasilis: projeto de automação da irrigação que reduz custos com água e energia elétrica.
A natureza também ensina a inovar de forma sustentável (biomimética).
O que é sustentável e o que não é
Para encerrar, uma reflexão a partir de um trecho de artigo de Oded Grajew, publicado pelo Instituto Ethos:
“Esgotar recursos naturais não é sustentável. Reciclar e evitar desperdícios são sustentáveis. Corrupção é insustentável. Ética é sustentável. Violência é insustentável. Paz é sustentável. Desigualdade é insustentável. Justiça social é sustentável. […] Solidariedade é sustentável. Individualismo é insustentável.”
Espero que você tenha refletido sobre a sustentabilidade e, principalmente, identificado oportunidades a partir dela. Pode ser muito bom para o planeta – e melhor ainda para sua empresa.