O TREM e o empreendedorismo nas universidades brasileiras

Pessoa escrevendo ideias em cartões sobre uma mesa

Texto de Márcia Matos, coautora do TREM – Trilha de Referência para o Empreendedor, publicado originalmente em 2016 com base na pesquisa Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras daquele ano.

A pesquisa Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras 2016, realizada pelo Sebrae e pela Endeavor, revelou descobertas importantes:

  • As universidades não possuem uma estrutura que apoie a jornada completa do empreendedor.
  • A universidade está desconectada do mercado.
  • A universidade não estimula a inovação e o sonho grande do aluno.

Entre as conclusões, o estudo alerta para a necessidade de a universidade “conectar suas iniciativas a uma visão estratégica de médio-longo prazo, visando a uma gama de atividades e espaços que acompanhem a jornada do empreendedor em um programa robusto de empreendedorismo”. E destaca a importância de transformar as instituições de ensino em agentes-chave da melhoria dos ambientes de negócios e dos ecossistemas de empreendedorismo.

Resultados que revelam ausências, demandas e carências devem sempre ser vistos como oportunidades: é nas lacunas que estão os desafios. A pesquisa pode inspirar projetos relacionados às universidades, aos professores e aos estudantes. Dá uma olhada neste gráfico:

Gráfico da pesquisa Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras 2016
Fonte: Pesquisa Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras 2016 (Sebrae/Endeavor)

O TREM: uma trilha para o empreendedor

Muito antes dessa pesquisa, ainda em 2014, já acreditávamos na necessidade de inspiração e apoio ao empreendedorismo. Por isso criamos a Trilha de Referência para o Empreendedor – TREM, um e-book gratuito e em Creative Commons, lançado no Connepi do Maranhão. Foi um trabalho muito ideológico, fruto da nossa esperança de espalhar o empreendedorismo pelo país, baseado em nossa experiência e em estudos sobre o tema. Segundo a pesquisa, apenas 13,3% das instituições de ensino superior tinham uma trilha de empreendedorismo.

Desde então, o TREM foi multiplicado em vários locais, nas capitais e no interior do país, como embrião para novos desafios. Mas iniciativas desse tipo não podem ser exclusividade de ninguém. Há espaço para muitas outras. Se as universidades não estão conseguindo inspirar os alunos a empreender, que a pesquisa nos inspire a trabalhar para que isso aconteça.

O empreendedorismo nas universidades depende de professores empreendedores

No capítulo dedicado aos professores, a pesquisa chama a atenção para um dado: apenas 10% deles se consideravam líderes na promoção do empreendedorismo – quase metade dos cursos de administração.

Fonte: Pesquisa Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras 2016 (Sebrae/Endeavor)

Ser promotor do empreendedorismo em sala de aula deveria começar pelo estímulo ao comportamento empreendedor. Características do comportamento empreendedor podem ser observadas em pessoas bem-sucedidas em qualquer área. Se um professor exerce sua liderança de forma empreendedora e estimula seus alunos, eles poderão se dar bem num emprego ou em qualquer outra atividade – como profissionais liberais, atletas, artistas – independentemente de pensarem em ter um negócio.

Estimular a criatividade, a proatividade, o autoconhecimento, o dinamismo e o aprender a aprender seria um bom começo. Mas isso exige que o próprio professor empreenda, seja criativo e busque métodos e ferramentas para fazer da sala de aula um laboratório de aprendizagem, lidando com os conteúdos de forma inovadora.

Aprender fazendo

Uma dica está no Cone de Aprendizagem, desenvolvido pelo educador americano Edgar Dale, que já em 1946 apontava que, colocando algo em prática – fazendo –, poderíamos recordar muito mais do que aprendemos. Vale revisitar o cone à luz do conceito de “aprender fazendo”, associando princípios mais recentes da andragogia (contexto, autonomia, interatividade) e da heutagogia (do grego heuta, “próprio”, e agogus, “guiar”) – a aprendizagem autodirigida, muito potente diante dos recursos que a tecnologia oferece.

Saindo da teoria para a prática, há uma gama de ferramentas usadas em workshops e cursos que se prestam ao uso em sala de aula, em qualquer disciplina: modelos de oficinas, ferramentas do design thinking, ferramentas visuais, maratonas, saídas a campo, prototipação.

Por exemplo: se numa aula de português o tema é a construção do texto científico, por que não criar uma oficina em que os alunos pesquisem e escolham uma monografia, um artigo científico e um texto jornalístico, listem as diferenças entre eles, encontrem os elementos que caracterizam o texto científico e, depois, migrem um conteúdo existente para o novo formato?

O importante é que, se a intenção for desenvolver o empreendedorismo, o elemento principal na sala de aula será o comportamento empreendedor do professor. Sem isso, o papo sobre como criar um negócio, marketing, finanças e gestão não vai alcançar os 73,3% dos alunos que, segundo a pesquisa, não tinham a intenção de abrir um negócio.

Quer levar a mentalidade empreendedora para a sua instituição?

Palestras: para virar a chave da mentalidade criativa de professores, líderes e equipes, com histórias e exemplos ligados à realidade da sua instituição. Conheça as palestras.

Workshops: para transformar conhecimento em ação, com desafios reais e próximos passos. Conheça os workshops.

Liga dos Inovadores: para continuar aprendendo, com conteúdo, networking e aprendizagem contínua numa comunidade gratuita. Entrar na Liga.

Já levei essa abordagem para organizações como Sebrae, Sebrae ES, Senac, PremierPet, Banco do Brasil, Sicredi e Honda Motors.